Papeando com Edna Bueno

rimas fáceis chuva e memória

Edna Bueno é carioca e, ainda criança, entrou em contato com os contos de fada e as aventuras, os quadrinhos de Walt Disney e a literatura de Monteiro Lobato – e foi paixão a primeira vista. Hoje a autora se dedica totalmente à literatura, apesar de ser formada em Engenharia Química, e ter trabalhado por anos na profissão. Edna é membro do Quintal da Língua Portuguesa (grupo de pesquisa de literaturas de língua portuguesa), e da AELIJ (Associação dos Escritores e Ilustradores de LIJ). Pela Editora Gaivota, lançou Rimas Fáceis, ilustrado por Talita Nozomi.

Batemos um papo com Edna Bueno, e o resultado segue abaixo!

Quem é Edna Bueno?

 Uma carioca de cabeça aluada e coração atento, apaixonada pelo mar.

Carrega barulhos por dentro, muitos ventos. Saudades da fazenda da infância e começo da adolescência, entre montanhas.

Uma vida comum pelos dias, histórias, família, amigos.

Um gosto por feiras livres e praças. Viajar, conhecer lugares e gentes. Cinema, museus, música, artes.

Adora ler e ler, escrever. Sol e chuva, natureza.

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?

Qualquer lugar/ momento que me traga uma emoção. A coisa vem pele, sentimento, a cabeça entende e traduz e guarda. Daí para pedaços de papel soltos, cadernetas desorganizadas, bloquinhos, receita médica, conta de hortifruti, o que tiver em mãos.

O melhor amigo criado por você?

Geralmente tenho um livro na bolsa, difícil não ter: um livro é um grande amigo.

E tenho um amigo-talismã: uma travessa de prender cabelo. Perdi a conta do tempo que uso esse “pentinho”, prendendo o cabelo para o lado.

Não há jeito de perdê-lo. Se some, é certo achá-lo; há anos assim. Meu talismã, virou lenda aqui em casa. Distraída, fico penteando/ afagando os cabelos; pensando. Grande companheiro de alegrias e agruras – das horas quietas.

Uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?

O Saci, de Monteiro Lobato. Li toda a coleção de Monteiro Lobato em criança, mas lembro até hoje a sensação de medo e mágica quando li O Saci. Eu estava doente, na cama dos meus pais. Não sei se é a memória que andou colorindo, mas lembro de lençóis cor azul claro. Lembro o quarto, perfeitamente, e de como eu estava longe naquelas matas com o Pedrinho e o saci, espanto e encantamento.

Qual é seu companheiro favorito de aventuras?

Meus óculos para ver de perto. Sem eles não leio e não escrevo, não decifro mapas, não enxergo tesouros: fica tudo mais difícil. Companheiro favorito e indispensável.

Escrever um livro é…

Um desafio. Encontrar um fio, um tom, aí vem arrebatamento e dedicação – pensando e vivendo a história todo tempo e lugar. E burilar palavras e frases, coisa que adoro: vai-se encontrando a história dentro das palavras, sua força. Depois do ponto final, a pergunta: será que vem outra história, outro livro? Sempre um desafio.

Se não inventasse mundos e personagens, o que Edna Bueno faria?

Já fiz, por muitos anos, “ser engenheira química em firmas de consultoria e projeto”. Era como usar um sapato apertado. Hoje vivo uma vida com pés confortáveis. Amo as palavras e o que me trazem: essa possibilidade de entender o que sinto e me emocionar e me situar no mundo e diante do mar.

Mas talvez gostasse de ser bailarina, tão bonito.

Por que literatura para os pequeninos e jovens?

Quando, em 1999, fiquei desempregada na engenharia, meu filho tinha acabado de fazer 1 ano. Voltei para as oficinas literárias que havia frequentado por temporadas diversas, dessa vez para uma de literatura para crianças e jovens – com Anna Claudia Ramos na Estação das Letras, aqui no Rio. Aí descobri o encanto dessa literatura. Antes, tinha frequentado oficinas de poesia e de contos, nunca para crianças.

Com meu filho, curti um mundo de alegrias pelos livros.

Foi nessa época que larguei de vez a engenharia (já havia tentado antes).

Onde fica/o que faz Edna quando busca inspiração?

A inspiração vem a qualquer momento, inesperada. Em caminhadas ou quando nado – os meus exercícios. Andando pela rua. Lendo um livro, pescando uma frase no ar. O cotidiano. A natureza.

Pode acontecer quando assistindo palestras, uma aula, numa conversa, no cinema, em cenas e paisagens que vislumbro.

Dá uns alheamentos, a cabeça aluada. E geralmente é caminhando ou nadando que o pensamento se arruma – é preciso alguma quietude.

A melhor página em branco é…

A página que acolhe a palavra – ou frase – que dá o fio da meada.

Aí é começar a aventura.

renda rimas

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