São Chiquinho

fim chicote
No livro São Chiquinho ou o rio quando menino, o autor João Bosco Bezerra Bonfim conta, em forma de prosa poética, a história do Rio São Francisco antes de se tornar o famoso Velho Chico. Você conhece?

O Rio São Francisco é um dos maiores cursos d’água da América Latina. Verdade! A sua nascente se encontra na região de Minas Gerais, e deságua no Oceano Atlântico. Ao longo do caminho, ele dá uma passadinha na Bahia, em Pernambuco, Sergipe e Alagoas – inclusive, servindo de fronteira natural para esses últimos. Reparou que o Rio desliza no sentido sul/norte? Isso acontece graças a uma falha geográfica, conhecida como “depressão sanfranciscana”. Caso ela não existisse, as águas iriam até o Sul!


Popularmente, o rio também é conhecido como Velho Chico, e essa alcunha tem absolutamente tudo a ver. O primeiro a navegar pelas águas límpidas do curso d’água foi o italiano Américo Vespúcio; isso em 1501, exatamente no dia dedicado a São Francisco de Assis! Antes de ser descoberto pelos europeus, o rio era chamado de Opara pelos índios que viviam em suas margens.

Logo após o Descobrimento do Brasil, o Rio São Francisco já começava a ter importância para o que viria a ser o país Brasil. A primeira cidade a ser fundada nas margens do São Francisco foi a histórica Penedo, que está localizada no Estado do Alagoas. A região também era muito povoada por tribos indígenas; entre elas, a tribo dos Caetés, responsável por fazer um belo jantar do primeiro bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha.

A primeira atividade econômica significante relacionada ao rio foi a criação de gado. Com o passar dos anos, a influência de suas águas na agricultura, transporte, geração de energia, alimentação e subsistência foi essencial; é um rio que gera a vida! O São Francisco também já foi ator de novelas, de filmes, e é presença constante nas fotos tiradas nos Estados em que circula.

O problema é que o Velho Chico está sofrendo com a sua velhice. Ou melhor, com a devastação que vêm acontecendo em suas margens. As matas ciliares, as drenagens, o projeto de transposição; tudo faz com que as águas do rio sejam poluídas, e que em partes do percurso ele se encontre seco.

Um fato curioso sobre o rio São Francisco é a existência do Farol São Francisco do Norte. A estrutura foi colocada, em 1856, para sinalizar onde estava a foz do lado alagoano. Porém, em 1880 ele já era invadido pelas águas; e mesmo a sua mudança para o lado sergipano, em 1884, não impediu que o mar avançasse totalmente sobre o pobre farol. Hoje, ele já está a quase 2 quilômetros da Costa, dentro d’água, e inclinando-se aos poucos. Entretanto, está lá, firme e forte, representando a história da região e a força das mudanças da natureza.

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