Tour pelo Centro Velho de São Paulo

No livro A Vida sem graça de Charllynho Peruca, de Gustavo Piqueira, mergulhamos na vida do pequeno Charllys Junior e sua rotina como entregador da lanchonete Charllys Lanches. A vida do garoto é um tanto quanto tediosa, sem muitas emoções ou reviravoltas. Quer dizer, isso até que um estranho pedido – dois XisXarllys para Edileine, no conjunto quarenta e cinco – faça com que Charllynho entre em uma enrascada atrás da outra.

Entre notas de dinheiro estampadas com o rosto de Roberto Carlos, fantasmas, quadros do Tom Cruise vesgo, cortes de cabelo ousados e a rotina em uma lanchonete, a vida de Charllynho apresenta também um outro panorama: o do Centro Velho da cidade de São Paulo. O desenrolar dessa história acontece entre a Praça da República, o Viaduto do Chá, a Rua Direita, a Praça da Sé; lugares que fazem parte da vida de muitos e são totalmente estranhos para outros. Com o aniversário da Terra da Garoa – 459 anos não é uma idade que se menospreze -, propomos que venham conhecer um pouco mais sobre esses pontos turísticos e históricos que fazem a cara de São Paulo!

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PRAÇA DA REPÚBLICA

Antes de ter esse nome, a Praça da República era conhecida como Largo dos Curros. Por quê? Era ali que a população se encontrava para ver as touradas. Com o passar dos anos, a praça ganhou cerca de quatro nomes diferentes; até que, em 1889, optaram definitivamente por Praça da República. Além de ser um espaço verde aprazível bem no meio do centro da cidade, o logradouro carrega um importante peso histórico e cultural. Ali foi instaurada a sede da Liga Revolucionária, uma célula remanescente da Revolução de 30 – aquela que elevou Getúlio Vargas ao poder. Contra a ditadura Varguista, estudantes atacaram essa Liga, levando a morte quatro rapazes: Miragaia, Martins, Drauzio e Camargo – MMDC, e que originou na Revolução Constitucionalista de 32.

Na década de 60, o lugar foi preenchido por jovens artistas e artesãos dispostos a vender o seu trabalho e revolucionar a cultura conservadora. Até os dias de hoje, ela é conhecida pela famosa feira de arte que acontece aos finais de semana.

VIADUTO DO CHÁ

Imagine que para fazer a travessia da Rua Direita até o Teatro Municipal – um trajeto tão simples – você precisasse descer uma ladeira, atravessar um córrego, um monte de plantas de chá e depois subir outra ladeira, ainda mais íngreme que a primeira; e realizar o percurso de volta, todos os dias! Cansativo, né?

Foi esse um dos motivos que levou o francês Jules Martin, um empreendedor de mão cheia, a sugerir e idealizar a construção de um viaduto que ligasse essas duas regiões – na época, o Centro Velho e o Centro Novo – com uma linha reta. Uma ideia brilhante! O governo adorou, os cidadãos adoraram. Quem não gostou nada disso foram os ricos plantadores de chá e parte da elite paulistana que tinha residências no local onde seria feita a construção: seriam todos desapropriados. Um dos opositores mais famosos da construção do viaduto foi o Barão de Tatuí, que tinha uma casa bem na entrada do local.

Não adiantou muito: em 1888, as obras começaram;  e, em 1892, uma faixa verde e amarela era cortada pelo senhor Presidente do Estado, Dr. Bernardino de Campos, inaugurando assim o famoso Viaduto do Chá. Depois de passar por um sistema de cobrança para a travessia, uma reforma e duplicação, o Viaduto é, ainda hoje, o principal ponto de ligação entre as vias do Vale do Anhangabaú.

RUA DIREITA

Uma das ruas mais antigas de São Paulo, a Rua Direita tem esse nome graças à tradição portuguesa de nomear as principais vias baseando no lado em que elas se encontram dos templos – nesse caso, foi baseada na Igreja de Santo Antônio, ainda presente na Praça do Patriarca. O logradouro ficou conhecido por abrigar uma explosão de lojas – na época, magazines – refinadas, que eram o marco da juventude. A rua existe desde o século XVI, sendo um dos meios para se chegar à atual Rua da Consolação. Também, é nela que está localizado o Edifício Guinle – o primeiro arranha-céu da cidade.

PRAÇA DA SÉ

À Praça da Sé
Eu vou a pé
Comendo banana
Mascando chicle

(Vou para São Paulo, Sérgio Capparelli)

A Praça da Sé é, talvez, um dos pontos mais conhecidos da cidade de São Paulo. Além de abrigar o monumento do Marco Zero do município, é lá que fica a Catedral da Sé – a maior igreja da cidade. Durante o período de formação da região, lá por 1880, o espaço era conhecido como Largo da Sé. Com o passar do tempo, o aumento da população, a instalação de uma estação de metrô na praça e uma série de reformas, principalmente nos anos 70, o espaço se tornou um dos mais populosos e visitados do centro. Além disso, ele abriga diversas intervenções artísticas, que só aumentam a beleza do local.

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Agora que você já conhece um pouco do centro da cidade, que tal juntar uns amigos no feriado e ir ver todas essas maravilhas históricas de pertinho? Para animar, a Editora Biruta dá uma dica de trilha sonora para conhecer São Paulo. Quer representação melhor que Adoniran Barbosa?

Ah, e cuidado com o Charllynho: aquele menino é confusão na certa!

Parabéns, São Paulo!


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[Na galeria, mesmo lugar em dois momentos: Praça da República/ Viaduto do Chá/ Rua Direita/ Praça da Sé/ Parque Trianon e um panorama da cidade]

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